Carta Aberta do Comando Nacional de Greve às bases do SINASEFE
Estamos
há 58 dias em greve, com uma pauta que inclui a defesa e ampliação de
importantes direitos dos trabalhadores, sendo que desde ontem a nossa
luta ganha um novo e importante ponto de pauta: a defesa do direito
constitucional de greve! O SINASEFE recebeu no dia 16 de junho de 2014
uma liminar expedida pelo Superior Tribunal de Justiça que declarou de forma injusta a ilegalidade e abusividade do movimento paredista.
O documento se baseia em uma série de inverdades (que o MEC reproduz em seu site),
tendo como fundamento principal a vigência de um acordo assinado em
2012 por uma entidade (Proifes) que não nos representa, e que,
inclusive, a própria justiça nega a sua representatividade. Vale
ressaltar que esse acordo não foi assinado por Andes-SN e SINASEFE por
representar um óbvio retrocesso a carreira docente, e portanto não há
descumprimento de nenhum acordo.
No entanto, em vez de reconhecer a
relevância do nosso trabalho e da nossa luta por uma educação pública,
gratuita, laica e sobretudo de qualidade para os nossos estudantes,
negociando nossa pauta de reivindicações, o governo prefere atacar nossa
greve ferindo os direitos constitucionais de greve e de autonomia das
nossas instituições.
Esse ataque demonstra explicitamente a
força do nosso movimento, que atinge mais de 160 campi da rede federal,
mobilizando e conscientizado a comunidade acadêmica sobre o momento
político de ataque ao serviço público e seu desmonte, em um ano que o
governo tenta manter sua popularidade, abafando os movimentos sociais
com o mote da copa e quando isso não é possível, criminalizando-os, tudo
isso para garantir a reeleição de Dilma e seu projeto de Estado que não
contempla os trabalhadores.
Diante de tamanha injustiça, frente a
este ataque ao instrumento mais valioso da classe trabalhadora para
defesa dos seus direitos, o SINASEFE já acionou sua Assessoria Jurídica,
que irá impetrar recurso solicitando a revogação imediata de tal
decisão, esclarecendo os fatos elencados nesta e buscando corrigir essa
injustiça. Reiteramos que tal decisão da justiça demonstra que o governo
está realmente incomodado com nossa mobilização e que a mesma tem
significativo impacto para a sociedade. Por fim, o SINASEFE informa a
toda base que não irá se abster da defesa irrestrita do nosso direito de
greve e não será uma decisão liminar que irá calar o SINASEFE, greve é
direito, não se negocia!
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